quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Com a poupança quase igual à inflação, ou seja, sem rendimento real, a diarista Marlene Santos, de Parque das Dunas, na Zona Norte de Natal, viu escorrer pelo ralo a única aplicação que ela e outros milhões de brasileiros ainda confiavam, pelo menos até agora: a poupança.
Fernando Amaral, professor de Finanças na FGV, consultor de empresas e de gestão fiscal para governos e municípios do RN, explica que as sucessivas quedas na taxa básica de juros, também conhecida como Selic, liquidaram a última defesa das pessoas mais humildes contra a corrosão de seu poder de compra.
“Não é preciso nem dizer que a grande maioria das pessoas tem dificuldade para investir, já que não conseguem economizar nada do dinheiro do mês, devorado pelos custos com habitação, alimentação, transporte, vestuário, higiene e cuidados pessoais, assistência à saúde e outras despesas correntes consomem 90% do orçamento de quem ganha um salário mínimo”, lembra.
Com isso, segundo o consultor, menos de 1% da população no Brasil investe no mercado financeiro e aqui no RN apenas 11 mil CPFs estão ativos na Bovespa. “E é uma pena que seja assim, uma vez que o mercado financeiro no Brasil é maduro embora com poucas empresas listadas”, acrescenta.
Além disso, corretoras sérias estão diariamente oferecendo suporte e vários cursos estão disponíveis para poder aprender sobre tipos de investimentos e como investir, nem que seja em renda fixa.
“Trata-se de um investimento que tem uma rentabilidade previsível, seguindo uma taxa mensal como Selic ou CDI, que está 4,40% ao ano. Mesmo esses investimentos possuem uma margem de segurança melhor, mas como diz a literatura: “quanto menor o risco, menor o retorno”, diz.
Fernando Amaral pontua que uma alternativa que tem sido muito buscada é investir no tesouro direto, título emitido pelo governo federal, que tem um rendimento um pouco melhor de 7,00% ao ano.
“Crescimento do patrimônio tem sido muito buscado por quem investe em renda variável, que é o investimento sem nenhuma taxa atrelada e sem rendimento mensal pré-determinado”, pontua o consultor.
“E investir em ações, opções de ações são as mais procuradas nessa modalidade de investimento”, acrescenta.
A retomada da economia, a confiança do país no cenário internacional e um conjunto de fatores internacionais tem dado um tom otimista para investir nesses papeis, acredita Fernando.
Segundo ele, o índice Bovespa, que subiu 209% de 2009 para cá está em máxima histórica, o índice da bolsa americana S&P também e bolsas na Europa e Ásia tem registrado máximas constantemente.
“Um caso que ganhou grande repercussão foi a valorização das ações da Magazine Luiza que saiu de R$ 0,40 em meados de 2015 e hoje está R$ 48,88, uma valorização de 35.000%. Quem tivesse investido R$ 1.000,00 hoje teria R$ 351.000,00”, exemplifica. *Agora RN

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